O que não dizer para uma criança adotada

Entenda alguns contextos que podem interferir no desenvolvimento e até mesmo gerar traumas, explicados pela psicóloga Grasiela Siqueira.

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(Foto: Reprodução/Internet)

O que não dizer a uma criança adotada:

“Esse é o João e a Maria que fulano(a) pegou pra criar”.

Adoção não é um ato de caridade (como adotar um bicho de estimação), pais biológicos geram seus filhos, pais adotivos escolhem serem pais.

“Esse é o filho ADOTIVO de fulano(a)

Você fica falando de outras crianças? “esse é filho de sangue de fulano(a)”? Sangue até seu mosquito tem o seu! Amor é escolha.

Segundo a nova legislação não pode haver discriminação e não existe o termo filho legítimo e filho adotivo, ambos tem o mesmo direito familiar, inclusive de herança.

Não pergunte para a criança ou para os pais dela: “como estão seus (os) pais biológicos?

Ex: Sua mãe está boa? – Está bem sim! (não Joãozinho tô perguntando da sua mãe de verdade). O amor é a verdade daquela família! Filhos adotivos são filhos de verdade e pais adotivos são também pais de verdade!

“Me conta como é que foi que você foi adotado(a)?”

Essa pergunta pode cutucar feridas abertas, é uma pergunta muito íntima, não faça perguntas desse processo, se a família ou a criança tocar no assunto acolha, senão, não seja inconveniente!

Não fique falando pra criança: “Que horror que seus pais biológicos fizeram isso com você, como puderam abandonar alguém assim?”

Você não sabe o perrengue que a mãe biológica pode ter passado para ter que abrir mão de uma criança, ela podia ter abortado se quisesse e no entanto protegeu a vida! Não julgue, você pode estar sendo cruel!

Se a criança tem uma nova história, não precisa ficar falando do passado dela. Se ela quiser entender sobre ele e suas origens é direito dela e só diz respeito a ela.

Filhos adotivos na maioria das vezes precisam fazer terapia e seus familiares também! Se as pessoas ao redor não tiverem cuidado com seus atos pode fazer a criança nunca se sentir que pertence de verdade em seu meio familiar.

Não diga para os pais: “como você teve coragem de adotar? Não tem medo de dar trabalho?”

Se não quiser ter trabalho, não tenha filhos, eles dão trabalho mesmo e também não são sua extensão e nem são obrigados a viver os sonhos de seus pais e sim seus próprios sonhos.

Não diga a criança: “nossa você não parece nada com seus pais e seus irmãos

Isso pode afetar a auto estima dela, família não precisa se parecer fisicamente para ser família e também vale dizer que cada pessoa tem sua personalidade. Se não souber o que falar não diga nada, melhor um silêncio certo do que uma palavra errada que pode gerar traumas de uma vida.

Autora: Grasiela Siqueira
Psicóloga
CRP 06/119271
grasi.fsiqueira@gmail.com
(19) 99320-2353
Rua Luiz Delbem, 170 – Centro – Americana/SP
Insta: @umapsicologa_me_disse

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